Por Nika Chaves
Dica: Leia isto ouvindo Rational Culture (Tim Maia)
Uma das coisas que torna um
livro, um disco, uma banda ou qualquer outra coisa interessante, pra mim, é a
história por trás do processo criativo, o que fez com que o artista
transformasse a partir de suas experiências ou não, o produto de sua própria
arte. Pensando nisso e seguindo uma sugestão muito especial, escolhi falar um
pouco de um dos discos mais raros e psicodélicos da Mpb, Racional Vol.1 e Vol.2,
gravado por um dos grandes interpretes da Soul Music Brasileira. Sim, estou
falando dele, Tim Maia.
Tim morou com apenas 17 anos em
Nova York, onde obteve grande influência da Black Music. Ficou por lá durante 4 anos, até ser
deportado por ter sido pego fumando maconha em um carro roubado. As drogas e a fama de furão, recebida por
desmarcar shows em cima da hora, foram um dos grandes problemas enfrentados por
Tim, numa carreira cheia de altos e baixos. Nos anos 70, nosso Show Man estava
no auge e dividia a cena musical com bandas como Mutantes, Tom Zé e o povo da
Jovem Guarda.
Mas a história do Racional começa
em 1974, quando Tim se envolve com um grupo religioso conhecido como Cultura
Racional, que misturava misticismo com ufologia, na crença de que os seres
humanos precisam se reconectar a uma forma elementar de energia, através de um
livro chamado Universo em Desencanto.
Nesse período Tim deixou de usar drogas, ficou limpo, passou a vestir-se de
branco e fez dois registros devocionais e meio que autobiográficos, o que veio
a ser um dos trabalhos em que se revela uma grande performance da sua voz, de
arrepiar!
Sua gravadora na época era a Polydor.
Quando Tim apresentou o trabalho, mandaram-no de volta para casa, para rever
suas músicas. Temperamental e determinado, lançou o disco em sua própria
gravadora chamada SEROMA, (o primeiro selo independente no Brasil) que são as
iniciais de seu nome de batismo Sebastião
Rodrigues Maia. Em 1976, separou-se do
culto e tirou os exemplares de circulação, tornando-os ainda mais raros, era
como se não tivessem existido. Em uma entrevista para o Jô Soares, em 1989,
declarou que o livro foi uma das grandes roubadas em sua vida. Sobre o disco,
Tim não liberava os direitos para a reprodução e nem falava sobre o assunto.
Mesmo
depois de seu falecimento em 1998, houve uma extensa disputa judicial entre
seus herdeiros. Somente em 2005, os direitos foram liberados pelo filho Carmelo
Maia, e lançados pela gravadora Trama em 2006, que recuperou as gravações a
partir de LP’s. Fora as divulgações sobre a leitura do livro em quase todas as
músicas, a voz de Tim, os músicos e a energia do Soul que estão presentes em
sua maioria, tornam o cd especial. No
caminho do Bem e Imunização Racional/Uh
que Beleza, fizeram parte da trilha dos filmes Cidade de Deus e Durval Discos.
Particularmente amo todo o disco e consegui baixá-lo pela internet, o cd está
na lista dos mais pirateados da rede. A parte instrumental conta com a participação
do músico guitarrista, Paulinho Guitarra, grande instrumentista brasileiro.
A revista Rolling Stone,
classificou o álbum na 17º posição, na lista dos 100 melhores álbuns da música
brasileira. Do disco, minhas músicas preferidas são... Bem, que difícil, vou
ficar com Rational Culture (que dura
maravilhosos 12 minutos, com solos lindos de guitarra e uma levada Soul de
fazer seu corpo seguir a música quase que no automático), Imunização Racional e Bom Senso, (que me fazem lembrar dos fins de
tarde de viola com minha mãe). E você já
ouviu o Racional? Ouve lá e sinta a energia.


Falar ou ler sobre Tim Maia me lembra das tantas vezes em que sua música embalou algum momento da minha vida! E até hoje embala... Pra quem gosta de Cultura Pop, sugiro ler “Noites Tropicais” de Nelson Motta, que nos transporta para os bastidores dos anos 60 até 80 da nossa MPB, onde Tim Maia é personagem central da várias passagens antológicas do livro. Adorei o post Nika!!
ResponderExcluirGisa Almeida.
Valeu Gisa!
ResponderExcluirJá fiquei na curiosidade em conhecer o livro "Noites Tropicais", o interessante é que o Nelson Motta também escreveu a biografia do Tim Maia "Vale Tudo". Valeu pela dica e obrigada. bjo
Definitivamente esse album deve ter sido uma viagem só. Só não sabemos o motivo do Tim Maia ter renegado um trabalho tão aclamado pela crítica. E reconhecido pela Rolling Stones. Bom, como era temperamental devia ter os seus motivos. hehehe =]
ResponderExcluirUh, Uh, Uh que belêza.
Oi André, na verdade, na época foi um fracasso de vendas porque ninguém esperava que o Tim fosse fazer um trabalho do tipo, ele chegou a fazer sucesso com uma única música, que foi Imunização Racional,também foi a única a ser regravada por outro artista com o Maia ainda vivo, que foi a Gal Costa. O reconhecimento só veio mais tarde mesmo.
ResponderExcluirE ainda tem gente que pensa que Imunização Racional é do Monobloco...
ResponderExcluirÓtimo post, Nika!
Obrigada Lúcia, e sim é muito verdade, sempre acontece essa confusão.
ExcluirValeu e obrigada por acompanhar o MaryLU. bjo