Oi gente bonita, tudo bão?
Fazem exatamente 4 dias que o Festival de Teatro da Amazônia começou, mas pra você que ama essa arte, ainda dá tempo de assistir a um dos espetáculos. Em sua 9º edição, o festival teve seu ínicio dia 06 de Outubro e finaliza dia 17. Todas as peças estão acontecendo no Teatro Amazonas, (que lindo).
Pra quem adora o teatro,eis uma ótima oportunidade para aproveitar os espetáculos, com uma entrada que cabe no bolso. Inteira 10 dinheiros e meia 5 dinheiros. Afinal, faz parte, prestigiar os atores e as pessoas que fazem a magia do teatro acontecer.
Viva ao Teatro!
Qualquer coisa, conta ali embaixo, nos comentários...se você foi? se gostou? e se tá com saudade dos nossos posts
Beeeijo.
Durante
três semanas participei da Oficina de Cinema Digital que ocorreu na Casa do
Cinema, oferecida pela Secretaria de Cultura do Amazonas. De segunda a sexta,
perto das 14 horas, debaixo do sol do fim de julho, passava pelo trecho mais
bonito da Rua Monsenhor Coutinho até chegar à Casa do Cinema. Encantei-me por
essa rua. Todos os dias fazia passos lentos ao cruzá-la e tentava contemplar o
máximo das fachadas antigas e abandonadas e o telhado de árvores que lembra um
túnel tristonho. Há uma solenidade, um
mistério de passado morto nas casas, na rua. Sinto um desespero por saber quem
morou naquelas casas e quem as abandonou, ali, como testemunhas silenciosas do
tempo que passa. E o que elas viram, dia após dia?
A
Casa do Cinema é um sobrado restaurado, decorado com cartazes e fotos antigas,
muito bonito, na R. Ferreira Pena, onde se pode ver mais exemplos da
arquitetura antiga. Na entrada há uma fonte seca e um conjunto de azulejos com
a inscrição “Solar Georgete”. Vejo-a como um cenário para fotografias. Dentro o
pé direito tão alto guia o olhar para o teto de madeira. E mais uma vez meu
desespero em pensar que histórias, que tragédias aconteceram lá. Uma casa nunca
é só uma casa.
As
aulas aconteciam nas salas do porão, com, aproximadamente, vinte pessoas. Algumas
já tinham experiência e outras, como eu, totalmente leigas apreciadoras do
cinema. O objetivo do curso era a produção dos curtas baseados nos nossos
próprios roteiros. Confesso que não foi fácil criar e pensar em um roteiro.
Todas as minhas idéias pareciam bobas. Enfim, quando finalizei, percebi o
quanto fiquei empolgado com a idéia de escrever histórias só minhas e,
possivelmente, dar vida e movimento a elas.
Uma
aula em especial é a minha predileta, a que falamos sobre equipe técnica. Pude
conhecer e entender a importância e as funções dos profissionais que trabalham
atrás das câmeras, os caras que fazem a magia acontecer. Após isso, dividimos a
turma em duas equipes e definimos o papel dos membros da equipe, cada equipe
responsável pela produção de um curta. Gostei das atribuições do diretor de
fotografia, mas preferi ficar com a direção de arte. As equipes elegeram seus
roteiros e as aulas seguintes foram nossas reuniões de pré-produção e
exercícios com a câmera.
A
minha maior dificuldade não estava voltada para algum elemento do filme em si,
como era de se esperar, mas à equipe que formamos. As nossas reuniões eram
muito vagas e, não querendo ser chato, fiquei incomodado com alguns membros sem
iniciativa ou que pareciam não querer estar ali e colaborar. Ainda por cima o
roteiro escolhido, embora fosse uma história bem curta e bonita, apresentava
alguns obstáculos como atores e locações e nada ficava decidido firmemente nas
reuniões. Devido a tudo isso e porque já me sentia frustrado, decidi abandonar
as aulas na segunda semana, não sem pesar. Porém, providencialmente, no mesmo
dia a maioria decidiu trocar o roteiro vencedor pelo meu, que foi todo pensado
para ser feito sem muitos recursos e com locações fáceis. Isso me tranquilizou
e me levou a continuar, não por eu ter sido escolhido, mas pela equipe ter
eliminado muitos entraves com essa atitude.
Percebi
que a alma da coisa está na equipe. Tudo anda se cada um carregar uma parte.
Não adianta ter um roteiro magnífico e bons equipamentos se não há
entrosamento, profissionalismo no grupo e, claro, vontade de fazer acontecer.
Mas críticas à parte, chegamos ao fim da terceira semana com a missão de
transformar algumas folhas de papel em imagem e som. A minha história se chama
“A folga” e fala sobre o tempo, como o aproveitamos e se realmente o
aproveitamos. Mostra um dia de descanso na vida de um cara que trabalha muito e
não vê a hora de fazer todas as coisas que planejou para o tempo livre, mas
acaba não fazendo nada a não ser dormir e ver TV. Requer apenas duas locações e
três atores que saíram do nosso próprio grupo.
Para
as cenas do escritório utilizamos uma das salas da Casa do Cinema. Como diretor
de arte fiquei responsável pelos objetos da cena, pelo cenário e pelo figurino
dos atores. As filmagens tiveram início às 15 horas e se estenderam até umas 19
horas. Já estava escuro e tivemos que fazer uma luz diurna. Esse dia foi muito
cansativo. Repetimos exaustivamente algumas cenas e, como eu também era o
continuísta, o cara que fica com a claquete, passei o dia pra lá e prá cá, a
cada mudança de posição da câmera, alterando os dados. Apesar do cansaço é
muito legal falar, por exemplo, “Cena 1, tomada 2, take 3” e bater a claquete
pro diretor comandar a ação.
No
segundo dia os trabalhos aconteceram no Educandos, na casa do diretor de
fotografia que, diga-se de passagem, tem uma vista do Rio Negro de dar inveja. A
cena toda era com o protagonista somente, o que facilitou bastante a
administração das tarefas. A fotografia esteve mais presente, assim como a
dificuldade de elaborar a luz do amanhecer e a luz noturna, bem no meio da
tarde manauara. Nosso ator, o Mário Cóvas (sim, ele tem nome de político), é
bem desenvolto e se mostrou muito à vontade na realização do papel, o que para
o diretor, deve ter sido agradável. A princípio ele seria o assistente de
direção, mas, sem dúvida, fez um ótimo trabalho diante das câmeras. Finalizamos
esse dia com sensação de alívio, o que me faz pensar que, nas produções, sejam
de TV ou de cinema, grandes ou pequenas, a sensação de quem faz, quando está
tudo pronto, provavelmente é de auto-realização e felicidade. Ainda não posso
afirmar ou negar isso, pois o curta está em processo de edição. Faço questão de
convidar os senhores para a exibição, assim que tivermos uma data definida.
Essa
foi uma experiência marcante, embora tudo tenha se dado no espaço tão curto de
três semanas. É uma alegria fazer parte e conhecer as pessoas que se dedicam a
esse trabalho em Manaus. Quero agradecer, especialmente, ao Bruno Morais e
Thiago Pereira, nossos mestres, pela generosidade em compartilhar o
conhecimento e nos trazer pra perto desse universo sedutor de “luz, câmera,
ação”.
Dica: leia isto ouvindo Young Blood
- (The Naked and Famous)
Se o gênio da
lâmpada mágica, aquele mesmo, o azul de Alladin, aparecesse pra mim agora,
orran, parece lesera, mas pediria um scanner, ahaha... Sério, ando com uma
vontade doida quase que azedando, pra colocar minhas fotos P&B da action no Marilyn. Mas num vai tardar, prometo
colocar tudo na íntegra, vou criar um flickr e é claro, antes disso, postar
algumas fotos no blog. Enquanto a expectativa só cresce, dou a dica da música
acima, Young Blood – The Naked and Famous,
com o tema “músicas para viagem” ou “músicas
para pegar a estrada”.
Caso você
tenha achado a canção familiar, saiba que ela é muito comum nos programas de
viagens do Multishow, e se você é uma daquelas pessoas que adoram esses
programas, “bate um 10”. A escolha foi intencional, pra gente entrar mesmo no
clima de viagem. Com o mês de Agosto acabando e Setembro chegando com tudo,
feriadão, dias de folga, pausa pra descanso. Nada como um feriado pra renovar
as energias. E você? Já se programou ou pensou no que vai fazer? Bem, se
meu bom Deus permitir, vou ver o mar, e quem sabe, role até um postsobre essa Trip. Além das coisas básicas que
não podemos esquecer, calcinhas, escova de dente e a inseparável máquina fotográfica. Sempre é bom selecionar aquelas músicas
ma-ra-vi-lho-sas no Pen Drive ou no aparelho mp3 pra marcar a viagem.
Foi pensando
nisso que abri um espaço para você, leitor do Marilyn, dar dicas de músicas que
poderíamos levar numa viagem, então, por favor, queira proporcionar não só a
mim, mais a todas as pessoas que possivelmente também vão viajar e ler o blog, curtir
um som diferente. Espero dicas de músicas empolgantes e com muito alto-astral,
aquelas especiais que você gosta de ouvir, as que te acompanham quando você
pega a estrada, aquela banda que não pode faltar numa Trip ou que você anda
ouvindo que está fazendo a sua cabeça. Aguardo ansiosa e entusiasmada por suas
dicas. Agora é com você, beijos!!
Dica: Leia
isto ouvindo Unknown Brother (The Black
Keys)
Por Nika Chaves
Filmes que deixam no espectador a sensação de querer viver
mais, de viajar, ter experiências, mesmo depois que o filme acaba, e mais ainda, te fazem refletir, são os
que realmente valem a pena. Na Estrada; me deixou com todas essas sensações.
Inspirado no romance homônimo On The Road – Pé na Estrada, de Jack Kerouac, o
filme relata experiências vividas por Sal Paradise ao lado de seu amigo Dean Moriarty, viajando
de uma ponta a outra dos Estados Unidos. Kerouac, juntamente com seus amigos
Allen Ginsberg e Willian S. Burroughs, fizeram parte da geração Beat, (final da
década de 50), de jovens em busca de experiências através da literatura, do sexo
e do uso de drogas. Uma geração boêmia, que influenciou posteriormente a
geração hippie dos anos 60. O filme traz na direção o brasileiro Walter Salles;
a produção é de Francis Ford Copolla.
No longa, o
protagonista Sal (Sam Riley) - que por algumas vezes me deixou a impressão de
estar olhando Leonardo Di Caprio - vive um jovem escritor que mora em Nova York,
perde o paie não vê mais inspiração no mundo em
que vive e nem na vida que leva. Através de um amigo, ele conhece o charmoso
Dean Moriarty (Garret Headlund) e sua mulher, Marylou (Kristen Stewart), de
apenas 16 anos, recém-chegados a Nova York e cheios de experiências a partilhar,
tudo do que um jovem escritor precisa. Instigado pelo lado “vida louca” de Dean
- e seus vícios em drogas, benzendrina, álcool e sexo - Sal passará por
experiências que irão mudar o seu jeito de ver o mundo e as coisas ao seu
redor, escrevendo sobre tudo o que vê e o que vivencia. E essa viagem foi feita por Kerouac e seu amigo Neal Cassidy, e mais
tarde viria a se tornar o livro On the Road – Pé na Estrada.
A composição das imagens é linda, paisagens dignas de cartão-postal,
e descreve o universo das drogas, do sexo liberal, da nudez, da
homossexualidade, sem se tornar apelativo ou vulgar. Pelo contrário, o filme
mostra claramente as reações de seus protagonistas e o olhar dos mesmos sobre tais
experiências e prováveis conseqüências. Outro destaque é a ótima trilha sonora. Confesso que senti um pouco
de tontura nos takes onde a câmera acompanha
o movimento das caminhadas pela estrada. O filme é longo, o que só percebi ao
olhar para o relógio no fim da sessão. As atuações e participações especiais
estão um show à parte. Você verá nossa queridinha Alice Braga, Viggo Mortensen,
Amy Adams e Kirsten Dunst, todos bem ambientados à época.
As curiosidades referentes ao filme e ao livro são várias,
mas listei somente uma para cada. Se, depois do filme, você tiver interesse em
ler o livro, saiba que muitas modificações foram feitas no texto, que sofreu diversas alterações das editoras por estar repleto de situações consideradas “fortes” pra época.
Kerouac escreveu o livro em três semanas, e praticamente não há pausas. Pra
felicidade dos que gostam dos originais, há uma versão do manuscrito, que pode
ser encontrada pela internet na livraria Cultura. Em relação ao filme, uma das
dificuldades para ser rodado, foi encontrar um bom roteiro, Salles contou com a ajuda de um velho amigo,
José Rivera, o mesmo roteirista de Central do Brasil. Minha cena favorita: Sam, Dean e Marylou estão
com mais dois caronistas no carro, de volta para São Francisco. É fim de tarde
e a fotografia está quase em Redscale.
A luz é incrível e Kristen consegue realmente emocionar com sua atuação. Um dos
caronistas começa a cantar um folk... É
impossível resistir a um sentimento de estrada, solidão, e a saudade de voltar
pra casa.
Na estrada é um filme sobre viver, correr riscos, viajar
(em várias conotações), amores e amizades. Vale muito a pena uma ida ao cinema,
ainda mais se você não tem problemas em fugir de fórmulas repetidas. Se você
gostar e quiser mais filmes sobre o mesmo tema, recomendo também Diários de
Motocicleta e Na Natureza Selvagem (esse último é emocionante). Todos foram
inspirados em diários, que mais tarde tornaram-se livros. Finalizo com um
trecho lindo de Kerouac: “Para mim,
pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar,
loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que
nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como
fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações."
Ficha técnica
ORIGINAL: On the Road – Na estrada
LIVRO: On the Road – Pé na Estrada – Jack Kerouac
DIRETOR: Walter Salles
ROTEIRISTA: José Rivera
ELENCO:
Sam Riley, Garret Headlund, Kristen Stewart, Alice Braga, Kirsten Dusnt, Amy
Adams, Viggo Mortensen.
O que você comprou com seu primeiro salário?
Lembra? Não lembro exatamente, mas com um dos primeiros resolvi me presentear.
Sensação altamente satisfatória que continuo realizando até os dias de hoje. O
presente em questão era bem simples e deve ter custado uns R$15,00 ou R$20,00.
Meio por acaso entrei num sebo no centro da cidade e vasculhei um pouquinho sem
muita vontade. Isso porque defendo a idéia de que coisas usadas, obviamente,
fizeram parte de outras vidas, outras histórias e carregam esse passado
desconhecido que me preocupa um pouco. Não que eu tenha assistido a muitos
filmes de terror ou acredite que algumas coisas pertenceram a pessoas mortas
ou, ainda, que fizeram parte de rituais... Vai ver é tudo isso mesmo e um pouco
de loucura. Mas o fato é que acabei levando um livrinho.
O título é “Caminhos de Santiago”, de Cádmo Soares
Gomes e mesmo com relutância em comprar livro de sebo, não pensei duas vezes e
resgatei esse da prateleira. Única exceção, pois nunca voltei a comprar outro
livro usado, o que o torna um livro especial. Outra razão pra tê-lo como
especial ou, exclusivo, digamos assim, é que várias de suas páginas trazem
anotações a lápis. Uma letra quase ilegível que eu penso ser masculina. Nas
partes que consigo ler parecem comentários, como se fossem pra uma pesquisa.
Não acho que o antigo dono tenha feito o caminho. Mas de toda maneira o livro
possui uma trajetória anterior intrigante.
O autor narra sua experiência como peregrino no
caminho de Santiago de Compostela, como o nome já sugere. Eu conhecia um pouco
do assunto, mas através da leitura fiquei fascinado. O caminho é uma rota de
peregrinação muito antiga que leva até o túmulo do apóstolo Tiago. Segundo a tradição Tiago evangelizou o que
hoje conhecemos como Espanha, sendo por isso perseguido e martirizado como
outros cristãos da época. O local da sua sepultura caiu em esquecimento com o
passar do tempo. Por volta do século IX, um eremita da região, chamado Pelágio
teve a visão de uma chuva de estrelas caindo sobre um ponto no campo, seguida
de uma voz que pedia para cavar. Ali foram encontrados os restos mortais do
apóstolo e o local passou a ser conhecido como Compostela que significa Campo das Estrelas. Desde então
peregrinos caminham até o túmulo que se encontra dentro da catedral erguida há
séculos.
Gosto desse trecho: “Faz-se o caminho de Santiago
por razões religiosas, espirituais, turísticas, culturais ou mesmo nenhuma.
Ainda que se parta sem saber por que, há quem diga que a razão vai sendo
descoberta durante o percurso. Atribui-se ao caminho uma força quase mágica. O
resultado de longa caminhada às vezes em solidão, às vezes em companhia, as
situações pelas quais se passa e a introspecção que ele proporciona conduzem à
aquisição de uma visão de si mesmo que certamente pode ser alcançada por
qualquer outro meio, mas que o caminho, acredita-se, consegue acelerar”.
O livro é um diário de bordo, de leitura bem
simples. O leitor consegue acompanhar e se envolver com a jornada do
caminhante, consegue viajar junto. Ele mostra os mapas e relata sua passagem de
cidade a cidade, as pessoas que conhece, as tradições que lhe contam; cruza florestas,
passa por subidas e descidas, descampados, enfrenta a chuva, o frio, o calor, o
cansaço. Descobri com o livro que existem quatro caminhos e o Cádmo passou por
todos. O caminho que parte da França e cruza todo o norte da Espanha – imagine
a paisagem e a aventura; o caminho Aragonês que também tem origem na fronteira
com a França e se torna um só Caminho Francês a partir de um determinado ponto;
o Caminho do Norte é uma rota diferente, paralela aos outros dois caminhos e,
por fim, há o caminho Português que tem início no Porto e permanece no país
quase que completamente, só passando a ser espanhol bem perto de Compostela.
Guardei três lembranças da leitura desse livro,
embora todo ele seja muito bom. A primeira é a fonte de vinho que jorra em uma
das cidades, a segunda é o Monte do Gozo, lugar onde, após toda a caminhada, se
pode avistar as torres da Catedral e as pessoas fazem a descida cantando, conforme
a tradição e a terceira é o Cabo Finisterra, último pedaço de Europa antes do
Oceano Atlântico. Percorrer o Caminho é um dos meus sonhos, mas eu não o faria
sozinho, como dizem que é o ideal. Costumo achar que essa é uma viagem pra ser
feita com grandes amigos. Creio que a inscrição que há na fonte do vinho
concorda comigo: “Peregrino! Se queres chegar a Santiago com força e
vitalidade, bebe um gole deste vinho e brinda à Felicidade”.
Uma das coisas que torna um
livro, um disco, uma banda ou qualquer outra coisa interessante, pra mim, é a
história por trás do processo criativo, o que fez com que o artista
transformasse a partir de suas experiências ou não, o produto de sua própria
arte. Pensando nisso e seguindo uma sugestão muito especial, escolhi falar um
pouco de um dos discos mais raros e psicodélicos da Mpb, Racional Vol.1 e Vol.2,
gravado por um dos grandes interpretes da Soul Music Brasileira. Sim, estou
falando dele, Tim Maia.
Tim morou com apenas 17 anos em
Nova York, onde obteve grande influência da Black Music. Ficou por lá durante 4 anos, até ser
deportado por ter sido pego fumando maconha em um carro roubado. As drogas e a fama de furão, recebida por
desmarcar shows em cima da hora, foram um dos grandes problemas enfrentados por
Tim, numa carreira cheia de altos e baixos. Nos anos 70, nosso Show Man estava
no auge e dividia a cena musical com bandas como Mutantes, Tom Zé e o povo da
Jovem Guarda.
Mas a história do Racional começa
em 1974, quando Tim se envolve com um grupo religioso conhecido como Cultura
Racional, que misturava misticismo com ufologia, na crença de que os seres
humanos precisam se reconectar a uma forma elementar de energia, através de um
livro chamado Universo em Desencanto.
Nesse período Tim deixou de usar drogas, ficou limpo, passou a vestir-se de
branco e fez dois registros devocionais e meio que autobiográficos, o que veio
a ser um dos trabalhos em que se revela uma grande performance da sua voz, de
arrepiar!
Sua gravadora na época era a Polydor.
Quando Tim apresentou o trabalho, mandaram-no de volta para casa, para rever
suas músicas. Temperamental e determinado, lançou o disco em sua própria
gravadora chamada SEROMA, (o primeiro selo independente no Brasil) que são as
iniciais de seu nome de batismo Sebastião
Rodrigues Maia. Em 1976, separou-se do
culto e tirou os exemplares de circulação, tornando-os ainda mais raros, era
como se não tivessem existido. Em uma entrevista para o Jô Soares, em 1989,
declarou que o livro foi uma das grandes roubadas em sua vida. Sobre o disco,
Tim não liberava os direitos para a reprodução e nem falava sobre o assunto.
Mesmo
depois de seu falecimento em 1998, houve uma extensa disputa judicial entre
seus herdeiros. Somente em 2005, os direitos foram liberados pelo filho Carmelo
Maia, e lançados pela gravadora Trama em 2006, que recuperou as gravações a
partir de LP’s. Fora as divulgações sobre a leitura do livro em quase todas as
músicas, a voz de Tim, os músicos e a energia do Soul que estão presentes em
sua maioria, tornam o cd especial. No
caminho do Bem e Imunização Racional/Uh
que Beleza, fizeram parte da trilha dos filmes Cidade de Deus e Durval Discos.
Particularmente amo todo o disco e consegui baixá-lo pela internet, o cd está
na lista dos mais pirateados da rede. A parte instrumental conta com a participação
do músico guitarrista, Paulinho Guitarra, grande instrumentista brasileiro.
A revista Rolling Stone,
classificou o álbum na 17º posição, na lista dos 100 melhores álbuns da música
brasileira. Do disco, minhas músicas preferidas são... Bem, que difícil, vou
ficar com Rational Culture (que dura
maravilhosos 12 minutos, com solos lindos de guitarra e uma levada Soul de
fazer seu corpo seguir a música quase que no automático), Imunização Racional e Bom Senso, (que me fazem lembrar dos fins de
tarde de viola com minha mãe). E você já
ouviu o Racional? Ouve lá e sinta a energia.
Dica: Leia isto ouvindo Call It What You Want (Foster The People)
Fazendo algumas pesquisas pela internet, descobri
que a Lomo foi criada na Rússia, ainda na Guerra Fria então União Soviética,
por um general que queria divulgar o estilo de vida dos Russos para o mundo.
Compactas e práticas, as máquinas podiam ser levadas a qualquer lugar. O tempo
foi passando e dois viajantes de passagem pela Europa, compraram as máquinas e
fizeram várias fotos de sua jornada. Na hora de revelar se depararam com cores
e texturas incríveis, alem de reviverem os momentos da viagem.
Os admiradores desse estilo de fotografia são tão
apaixonados, que salvaram a empresa de falir. A partir daí, a Lomo ganhou
admiradores pelo mundo todo. Mas a fotografia tem dessas coisas, registrar
momentos, pessoas queridas, dias incríveis e encantar as pessoas. Além da
delícia de fotografar, lomografar é diferente. O fato de a máquina ser
analógica, te deixa na expectativa, como será que vai ficar aquela foto? Também
causa um pouco de tristeza quando as fotos saem queimadas. Isso porque são
diferentes das digitais. As lomos dependem de uma série de fatores, a luz do
ambiente, o ISO do filme.
O mais legal de todas essas dúvidas é que você não
está sozinho, existe uma grande comunidade na internet, disposta a compartilhar
experiências e o resultado de suas fotos também. É quase viciante, recomendo não fazer isso no
trabalho. Existe uma infinidade de Lomos, com nomes e lentes diferentes. Posso
citar algumas: Lomo LC-A+, Diana, Holga, Fisheye (uma das mais legais e sonho
de consumo).
Não sou uma especialista em fotografia, pelo
contrário, tudo que sei e aprendi, foram coisas ensinadas pelos meus amigos,
tão apaixonados por essa arte quanto eu. Luz, ISO, truques. Aprendi muita coisa
com João Ricardo, Samira Maria, Tati Dutra e Gabi Sampaio. Aliás, foi Gabi quem
me apresentou a esse universo, não só apresentou como me presenteou com minha
primeira Lomo, uma Action Sampler. Meu eterno obrigado Gabis. Na cultura
country quando se tem admiração por alguém você presenteia a pessoa com seu
violão, foi assim com Johnny Cash e Bob Dylan. No meu caso foi ao contrário, a
admiração ficou por conta da presenteada.
As fotos selecionadas são de minha coleção pessoal.
Gostou? No Brasil as lojas físicas ficam no Rio (em Copacabana) e São Paulo (na
Augusta), se você for por lá, vale muito a pena conferir. Mas caso não tenha
como ir, é só economizar um pouco e comprar pela internet mesmo. Logo abaixo listei as “10 Regras de Ouro da
Lomografia”, preparado? Então, olha o passarinho.
1.Leve
a sua câmera onde quer que você vá.
2.Use
a todo momento – dia e noite.
3.A
Lomografia não é uma interferência na sua vida,
é parte dela.
4.Tente
fotografar de todas as maneiras
5.Aproxime-se
dos objetos que movem o seu desejo Lomográfico o mais perto possível.
6.Não
pense.
7.Seja
rápido.
8.Você
não precisa saber o que foi capturado no filme.
Acredito que uma das melhores coisas inventadas na
música moderna é o vídeo clipe. Quase todo mundo concorda que a vida tem uma
trilha sonora, literalmente falando, quando vivemos nosso cotidiano,
acompanhados pelos fones de ouvido ou quando uma determinada canção faz você
viajar no tempo e relembrar coisas boas ou péssimas. As trilhas no cinema, então,
são um capítulo à parte. Alguns diretores dominam como ninguém a arte de pôr
música nas suas imagens. E que tal pôr um pouco de imagens na música? Acho
fantástico! Principalmente quando o clipe se torna um pequeno filme.
É o caso de Cool
da Gwen Stefani, quarto single do seu álbum solo, de 2005. Dizem que a letra
faz uma referência não explícita à emblemática Don’t Speak que, pra quem não lembra, Gwen escreveu inspirada no
fim do seu relacionamento com um dos integrantes do No Doubt, o baixista com cara
de indiano Tony Kanal (ele tem mesmo origem indiana). Em Cool o tema é “acabou, eu sofri pra caralho, mas seguimos nossa
vida, agora somos amigos e tudo está tranquilo”.
O clipe reflete bem esse clima. Tem a direção de Sophie
Muller, uma mulher que carrega lindos clipes de muitos artistas legais nas
costas. Só pra citar alguns: Trouble
da Pink, Mr. Brightside do The
killers, Song 2 do Blur, She Will be Loved do Marron 5 e o já mencionado
Don`t Speak. Sophie é amiga de Gwen,
que já a admirava antes de trabalharem juntas.
Pois bem, vamos ao que interessa. No vídeo, o ex
da cantora (interpretado por um ator espanhol bem mais bonito que o indiano)
vai visitá-la no seu palacete com a nova namorada (aqui eles quiseram misturar as
coisas pois a atriz – pasmem- é mulher na vida real de Kanal). Gwen vem
recebê-los toda linda e poderosa num mix de estampas. Ele apresenta uma à outra
e a carinha que Gwen faz sorrindo e encolhendo os ombros é bem engraçada –
talvez ela tenha pensado: “quer dizer que a biscate é bonita mesmo”.
Enfim, o legal do clipe começa quando o ex-casal
se esbarra. Pra mim é uma sacada ótima da diretora. A partir dessa cena e
durante grande parte do vídeo é traçado um paralelo entre presente e passado e
você passa a conhecer a história por trás daquele encontro. Note o close nos
olhares e a invasão de memórias que revelam os protagonistas com outros cabelos
e figurino diferente. Não resta dúvida de que eles estão na Itália, por causa
da lambreta, do prato de massa, das estampas da Gwen que devem ser Prada ou
Cavali e, claro, da locação que me faz lembrar O Talentoso Ripley.
Perceba também que 1) eles eram pobres no passado 2)
o decote da outra garota é enorme 3) o rabo de cavalo da Gwen e 4) tem uma hora
que ela exibe uma aliança, acho que isso explica a grana e o castelo. Gosto da
luz do clipe, da composição das imagens e particularmente da cena em que os
ex-namorados ao mesmo tempo tocam com os lábios as xícaras e simultaneamente se
beijam nas cenas do passado.
No fim parece que Gwen ficou meio cabisbaixa com a
visita e as lembranças, mas logo em seguida retoma o sorriso e a postura alegre
enquanto ouvimos o refrão: I know we're cool.
Eles saem e vão dar uma volta no lago como antigamente, porque superaram tudo
e todos são belos amigos agora. Será? O que você acha?