quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Oficina de cinema - parte 1


Por João Ricardo

Durante três semanas participei da Oficina de Cinema Digital que ocorreu na Casa do Cinema, oferecida pela Secretaria de Cultura do Amazonas. De segunda a sexta, perto das 14 horas, debaixo do sol do fim de julho, passava pelo trecho mais bonito da Rua Monsenhor Coutinho até chegar à Casa do Cinema. Encantei-me por essa rua. Todos os dias fazia passos lentos ao cruzá-la e tentava contemplar o máximo das fachadas antigas e abandonadas e o telhado de árvores que lembra um túnel tristonho.  Há uma solenidade, um mistério de passado morto nas casas, na rua. Sinto um desespero por saber quem morou naquelas casas e quem as abandonou, ali, como testemunhas silenciosas do tempo que passa. E o que elas viram, dia após dia?
A Casa do Cinema é um sobrado restaurado, decorado com cartazes e fotos antigas, muito bonito, na R. Ferreira Pena, onde se pode ver mais exemplos da arquitetura antiga. Na entrada há uma fonte seca e um conjunto de azulejos com a inscrição “Solar Georgete”. Vejo-a como um cenário para fotografias. Dentro o pé direito tão alto guia o olhar para o teto de madeira. E mais uma vez meu desespero em pensar que histórias, que tragédias aconteceram lá. Uma casa nunca é só uma casa.
As aulas aconteciam nas salas do porão, com, aproximadamente, vinte pessoas. Algumas já tinham experiência e outras, como eu, totalmente leigas apreciadoras do cinema. O objetivo do curso era a produção dos curtas baseados nos nossos próprios roteiros. Confesso que não foi fácil criar e pensar em um roteiro. Todas as minhas idéias pareciam bobas. Enfim, quando finalizei, percebi o quanto fiquei empolgado com a idéia de escrever histórias só minhas e, possivelmente, dar vida e movimento a elas.

Uma aula em especial é a minha predileta, a que falamos sobre equipe técnica. Pude conhecer e entender a importância e as funções dos profissionais que trabalham atrás das câmeras, os caras que fazem a magia acontecer. Após isso, dividimos a turma em duas equipes e definimos o papel dos membros da equipe, cada equipe responsável pela produção de um curta. Gostei das atribuições do diretor de fotografia, mas preferi ficar com a direção de arte. As equipes elegeram seus roteiros e as aulas seguintes foram nossas reuniões de pré-produção e exercícios com a câmera.

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