Por João
Ricardo
Durante três semanas participei da Oficina de Cinema Digital que ocorreu na Casa do Cinema, oferecida pela Secretaria de Cultura do Amazonas. De segunda a sexta, perto das 14 horas, debaixo do sol do fim de julho, passava pelo trecho mais bonito da Rua Monsenhor Coutinho até chegar à Casa do Cinema. Encantei-me por essa rua. Todos os dias fazia passos lentos ao cruzá-la e tentava contemplar o máximo das fachadas antigas e abandonadas e o telhado de árvores que lembra um túnel tristonho. Há uma solenidade, um mistério de passado morto nas casas, na rua. Sinto um desespero por saber quem morou naquelas casas e quem as abandonou, ali, como testemunhas silenciosas do tempo que passa. E o que elas viram, dia após dia?
A
Casa do Cinema é um sobrado restaurado, decorado com cartazes e fotos antigas,
muito bonito, na R. Ferreira Pena, onde se pode ver mais exemplos da
arquitetura antiga. Na entrada há uma fonte seca e um conjunto de azulejos com
a inscrição “Solar Georgete”. Vejo-a como um cenário para fotografias. Dentro o
pé direito tão alto guia o olhar para o teto de madeira. E mais uma vez meu
desespero em pensar que histórias, que tragédias aconteceram lá. Uma casa nunca
é só uma casa.
As
aulas aconteciam nas salas do porão, com, aproximadamente, vinte pessoas. Algumas
já tinham experiência e outras, como eu, totalmente leigas apreciadoras do
cinema. O objetivo do curso era a produção dos curtas baseados nos nossos
próprios roteiros. Confesso que não foi fácil criar e pensar em um roteiro.
Todas as minhas idéias pareciam bobas. Enfim, quando finalizei, percebi o
quanto fiquei empolgado com a idéia de escrever histórias só minhas e,
possivelmente, dar vida e movimento a elas.
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