sábado, 30 de junho de 2012

A arte e a delícia da Lomografia.



Por Nika Chaves

Dica: Leia isto ouvindo Call It What You Want (Foster The People)


Fazendo algumas pesquisas pela internet, descobri que a Lomo foi criada na Rússia, ainda na Guerra Fria então União Soviética, por um general que queria divulgar o estilo de vida dos Russos para o mundo. Compactas e práticas, as máquinas podiam ser levadas a qualquer lugar. O tempo foi passando e dois viajantes de passagem pela Europa, compraram as máquinas e fizeram várias fotos de sua jornada. Na hora de revelar se depararam com cores e texturas incríveis, alem de reviverem os momentos da viagem.

Os admiradores desse estilo de fotografia são tão apaixonados, que salvaram a empresa de falir. A partir daí, a Lomo ganhou admiradores pelo mundo todo. Mas a fotografia tem dessas coisas, registrar momentos, pessoas queridas, dias incríveis e encantar as pessoas. Além da delícia de fotografar, lomografar é diferente. O fato de a máquina ser analógica, te deixa na expectativa, como será que vai ficar aquela foto? Também causa um pouco de tristeza quando as fotos saem queimadas. Isso porque são diferentes das digitais. As lomos dependem de uma série de fatores, a luz do ambiente, o ISO do filme.
O mais legal de todas essas dúvidas é que você não está sozinho, existe uma grande comunidade na internet, disposta a compartilhar experiências e o resultado de suas fotos também.  É quase viciante, recomendo não fazer isso no trabalho. Existe uma infinidade de Lomos, com nomes e lentes diferentes. Posso citar algumas: Lomo LC-A+, Diana, Holga, Fisheye (uma das mais legais e sonho de consumo).
Não sou uma especialista em fotografia, pelo contrário, tudo que sei e aprendi, foram coisas ensinadas pelos meus amigos, tão apaixonados por essa arte quanto eu. Luz, ISO, truques. Aprendi muita coisa com João Ricardo, Samira Maria, Tati Dutra e Gabi Sampaio. Aliás, foi Gabi quem me apresentou a esse universo, não só apresentou como me presenteou com minha primeira Lomo, uma Action Sampler. Meu eterno obrigado Gabis. Na cultura country quando se tem admiração por alguém você presenteia a pessoa com seu violão, foi assim com Johnny Cash e Bob Dylan. No meu caso foi ao contrário, a admiração ficou por conta da presenteada.


As fotos selecionadas são de minha coleção pessoal. Gostou? No Brasil as lojas físicas ficam no Rio (em Copacabana) e São Paulo (na Augusta), se você for por lá, vale muito a pena conferir. Mas caso não tenha como ir, é só economizar um pouco e comprar pela internet mesmo.  Logo abaixo listei as “10 Regras de Ouro da Lomografia”, preparado? Então, olha o passarinho.





1.       Leve a sua câmera onde quer que você vá.
2.       Use a todo momento – dia e noite.
3.       A Lomografia não é uma interferência na sua vida,  é parte dela.
4.       Tente fotografar de todas as maneiras
5.       Aproxime-se dos objetos que movem o seu desejo Lomográfico o mais perto possível.
6.       Não pense.
7.       Seja rápido.
8.       Você não precisa saber o que foi capturado no filme.
9.       E depois também.
10.   Não leve a sério nenhuma regra.   




Pra ouvir vendo

Por João Ricardo



Acredito que uma das melhores coisas inventadas na música moderna é o vídeo clipe. Quase todo mundo concorda que a vida tem uma trilha sonora, literalmente falando, quando vivemos nosso cotidiano, acompanhados pelos fones de ouvido ou quando uma determinada canção faz você viajar no tempo e relembrar coisas boas ou péssimas. As trilhas no cinema, então, são um capítulo à parte. Alguns diretores dominam como ninguém a arte de pôr música nas suas imagens. E que tal pôr um pouco de imagens na música? Acho fantástico! Principalmente quando o clipe se torna um pequeno filme. 
É o caso de Cool da Gwen Stefani, quarto single do seu álbum solo, de 2005. Dizem que a letra faz uma referência não explícita à emblemática Don’t Speak que, pra quem não lembra, Gwen escreveu inspirada no fim do seu relacionamento com um dos integrantes do No Doubt, o baixista com cara de indiano Tony Kanal (ele tem mesmo origem indiana). Em Cool o tema é “acabou, eu sofri pra caralho, mas seguimos nossa vida, agora somos amigos e tudo está tranquilo”.



O clipe reflete bem esse clima. Tem a direção de Sophie Muller, uma mulher que carrega lindos clipes de muitos artistas legais nas costas. Só pra citar alguns: Trouble da Pink, Mr. Brightside do The killers, Song 2 do Blur, She Will be Loved do Marron 5 e o já mencionado Don`t Speak. Sophie é amiga de Gwen, que já a admirava antes de trabalharem juntas.
Pois bem, vamos ao que interessa. No vídeo, o ex da cantora (interpretado por um ator espanhol bem mais bonito que o indiano) vai visitá-la no seu palacete com a nova namorada (aqui eles quiseram misturar as coisas pois a atriz – pasmem- é mulher na vida real de Kanal). Gwen vem recebê-los toda linda e poderosa num mix de estampas. Ele apresenta uma à outra e a carinha que Gwen faz sorrindo e encolhendo os ombros é bem engraçada – talvez ela tenha pensado: “quer dizer que a biscate é bonita mesmo”.
Enfim, o legal do clipe começa quando o ex-casal se esbarra. Pra mim é uma sacada ótima da diretora. A partir dessa cena e durante grande parte do vídeo é traçado um paralelo entre presente e passado e você passa a conhecer a história por trás daquele encontro. Note o close nos olhares e a invasão de memórias que revelam os protagonistas com outros cabelos e figurino diferente. Não resta dúvida de que eles estão na Itália, por causa da lambreta, do prato de massa, das estampas da Gwen que devem ser Prada ou Cavali e, claro, da locação que me faz lembrar O Talentoso Ripley.
Perceba também que 1) eles eram pobres no passado 2) o decote da outra garota é enorme 3) o rabo de cavalo da Gwen e 4) tem uma hora que ela exibe uma aliança, acho que isso explica a grana e o castelo. Gosto da luz do clipe, da composição das imagens e particularmente da cena em que os ex-namorados ao mesmo tempo tocam com os lábios as xícaras e simultaneamente se beijam nas cenas do passado.
No fim parece que Gwen ficou meio cabisbaixa com a visita e as lembranças, mas logo em seguida retoma o sorriso e a postura alegre enquanto ouvimos o refrão: I know we're cool. Eles saem e vão dar uma volta no lago como antigamente, porque superaram tudo e todos são belos amigos agora. Será? O que você acha?

terça-feira, 19 de junho de 2012

Otras abuelas


Por João Ricardo


Eu sempre quis ler algo do Gabriel García Márquez, para os íntimos, Gabo. Os títulos dele me chamam atenção, são tão belos: Cem Anos de Solidão, O Outono do Patriarca, Doze Contos Peregrinos, A Má Hora (O Veneno da Madrugada) e por aí vai. Conheci uma ou outra pessoa que não gostou da escrita dele, ainda que o cara tenha ganhado, em 1982, o Nobel de Literatura. Enfim, é sempre bom assistir ou ler pra formar sua opinião (isso eu aprendi com a Nika). 
Dando início ao desbravamento desse mestre, escolhi um de título bonito também, Do Amor e Outros Demônios. O Gabo me convenceu logo de cara no texto que abre o romance, onde ele explica de onde veio a inspiração. Em 1949, ainda jornalista, num dia parado de acontecimentos, foi enviado para cobrir os trabalhos num convento histórico que seria convertido em hotel. Chegando lá estavam removendo as ossadas das criptas. García Marquez ficou impressionado ao entrar na capela e ver os restos das pessoas enfileiradas no chão. Mas o mais espantoso ainda estava por vir. Ele mesmo pode dizer:
“No terceiro nicho do altar-mor, do lado do Evangelho, é que estava a notícia. A lápide saltou em pedaços ao primeiro golpe da picareta, e uma cabeleira viva, cor de cobre intensa, se espalhou para fora da cripta. O mestre de obras quis retirá-la inteira, com ajuda de seus operários, e quanto mais a puxavam, mais comprida e abundante parecia, até que saíram os últimos fios ainda preso a um crânio de menina (...) Estendida no chão, a cabeleira esplêndida media vinte e dois metros e onze centímetros”. No mesmo momento ele lembrou que sua avó contava a lenda de uma marquesinha morta no Caribe que tinha fama de milagreira e um cabelo comprido como a calda de um vestido. Desse fato e da sua mente altamente criativa que mistura o real e o extraordinário nasceu o romance.
A história contada por ele se passa na Colômbia ainda colônia espanhola. A marquesa é uma menina de cabeleira longa, por causa de uma promessa, que vive no meio dos escravos e alheia aos pais. Há um surto de raiva na cidade devido à presença de cães doentes que saem atacando as pessoas. Um deles ataca a criança que não morre, mas depois de um tempo passa a apresentar um comportamento estranho, tido pela Igreja como demoníaco.  Com medo da Inquisição e desesperado para salvar a filha, o marquês a leva, como sugestão do bispo, ao convento para que seja tratada. O padre responsável pelos ritos se apaixona pela garota, ele muito mais velho que ela. E, não vou contar tudo, claro, mas no decorrer das páginas você se depara com feitiços, personagens malditos, tristes, solitários, um manicômio, um eclipse, uma historia de amizade e amor.


Outro motivo que me fez ler o livro é que minha avó também contava histórias. A gente ficava na frente da rede dela, escutando, muitas vezes, muitas tardes. Lendas que passaram de pessoa pra pessoa até chegar nela e historias que ela lia nos livros. Seres fantásticos, versos mágicos, amores proibidos, gigantes, fantasmas, coisas do mato e do sertão. Nunca mais tornei a ouvir de outra pessoa do jeito que ela contava. Arrependo-me de não ter feito que nem o Gabo. Agora o tempo passou e não lembro os começos, os fins, tudo parece um sonho distante feito de imagens que eu criei quando ouvia. Mas vamos lá, sem tristeza, a minha vózinha que era Luíza com z, fez parte da confraria das avós fantásticas, como a avó do García Márquez com certeza e eu tenho muito orgulho disso.

Ps: Também existe o filme baseado no romance. Eu ainda não assisti, mas se alguém já teve a oportunidade, conta pra gente, vai. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Você está pronto para o novo?


    Por Nika Chaves


    Dica: Leia isto ouvindo Eletric Feel (MGMT
NetFlix empresa americana que começou entregando filmes pelo correio
       Olá a todos! Estou muito feliz pela aceitação do blog, muitas pessoas leram e comentaram por e-mail, facebook e twitter. Fizemos alguns ajustes em nosso blog, para facilitar a publicação dos comentários. Esse post vai dedicado à nossa leitora e ex-companheira de trampo. Juh, um beijo especial bonita, que fez uma pergunta muito interessante. Onde eu encontrei o filme Um drink no inferno? Pois bem vamos à resposta.
        Foi no NETFLIX gente, e o que é o NETFLIX? Bem, é um serviço usado para assistir filmes pela internet, usando computador, Smart-tv (Samsung e LG), PS3, Wii, X-box ou um I-phone. O valor é bem camarada R$15,00 mensais. Com um catálogo de filmes bem bacana, no mercado desde meados do ano passado, pelo menos no Brasil. Para fazer o cadastro é necessário usar o cartão de crédito.
         Dá um pouco de medo pagar por uma coisa que você mal conhece. Mas é por isso que eles te dão um mês grátis. Na verdade hoje em dia, por que pagar por algo? Se posso baixar tudo pela internet, não é mesmo. E atire a primeira pedra quem nunca baixou um filme, música ou qualquer outra coisa pelo 4shared ou até mesmo de qualquer outro site de baixar coisas. Eu por exemplo tenho um pouco de receio em sair baixando tudo pela internet, prefiro compartilhar de um amigo, acho mais seguro, mesmo assim estamos sujeitos a levar alguma sujeirinha pro nosso PC.
          O diferencial do NETFLIX é que você pode assistir quantos filmes quiser e puder por dia. Basta uma conexão de 1 mega e pronto temos uma festa.  A maioria dos títulos está em HD e não se paga nada a mais por isso. E estando insatisfeito, pode cancelar a qualquer hora o serviço. Foi meu irmão quem me apresentou. No início fiquei com meus dois pés atrás, mas o novo é assim mesmo. Traz medo e desconfiança. Como já dizia Raul “o caminho do risco é o sucesso”.
         Sou cliente há mais de 4 meses e recomendo a todos os meus amigos. Pra quem é oitentista e curte filmes tipo sessão da tarde, será como estar no paraíso. É possível encontrar títulos como Clube dos cinco, Gatinhas e gatões, De volta para o futuro, Chaves e Chapolin. Raridades indisponíveis até mesmo em acervos como da Saraiva ou Cultura. Um paraíso. Foi por lá que assisti Um drink e outros clássicos.
           E você, tá pronto para o novo? Um beijo e um forte abraço. Até nosso próximo post!