Dica: Leia
isto ouvindo Unknown Brother (The Black
Keys)
Por Nika Chaves
Filmes que deixam no espectador a sensação de querer viver
mais, de viajar, ter experiências, mesmo depois que o filme acaba, e mais ainda, te fazem refletir, são os
que realmente valem a pena. Na Estrada; me deixou com todas essas sensações.
Inspirado no romance homônimo On The Road – Pé na Estrada, de Jack Kerouac, o
filme relata experiências vividas por Sal Paradise ao lado de seu amigo Dean Moriarty, viajando
de uma ponta a outra dos Estados Unidos. Kerouac, juntamente com seus amigos
Allen Ginsberg e Willian S. Burroughs, fizeram parte da geração Beat, (final da
década de 50), de jovens em busca de experiências através da literatura, do sexo
e do uso de drogas. Uma geração boêmia, que influenciou posteriormente a
geração hippie dos anos 60. O filme traz na direção o brasileiro Walter Salles;
a produção é de Francis Ford Copolla.
No longa, o
protagonista Sal (Sam Riley) - que por algumas vezes me deixou a impressão de
estar olhando Leonardo Di Caprio - vive um jovem escritor que mora em Nova York,
perde o pai e não vê mais inspiração no mundo em
que vive e nem na vida que leva. Através de um amigo, ele conhece o charmoso
Dean Moriarty (Garret Headlund) e sua mulher, Marylou (Kristen Stewart), de
apenas 16 anos, recém-chegados a Nova York e cheios de experiências a partilhar,
tudo do que um jovem escritor precisa. Instigado pelo lado “vida louca” de Dean
- e seus vícios em drogas, benzendrina, álcool e sexo - Sal passará por
experiências que irão mudar o seu jeito de ver o mundo e as coisas ao seu
redor, escrevendo sobre tudo o que vê e o que vivencia. E essa viagem foi feita por Kerouac e seu amigo Neal Cassidy, e mais
tarde viria a se tornar o livro On the Road – Pé na Estrada.
A composição das imagens é linda, paisagens dignas de cartão-postal,
e descreve o universo das drogas, do sexo liberal, da nudez, da
homossexualidade, sem se tornar apelativo ou vulgar. Pelo contrário, o filme
mostra claramente as reações de seus protagonistas e o olhar dos mesmos sobre tais
experiências e prováveis conseqüências. Outro destaque é a ótima trilha sonora. Confesso que senti um pouco
de tontura nos takes onde a câmera acompanha
o movimento das caminhadas pela estrada. O filme é longo, o que só percebi ao
olhar para o relógio no fim da sessão. As atuações e participações especiais
estão um show à parte. Você verá nossa queridinha Alice Braga, Viggo Mortensen,
Amy Adams e Kirsten Dunst, todos bem ambientados à época.
As curiosidades referentes ao filme e ao livro são várias,
mas listei somente uma para cada. Se, depois do filme, você tiver interesse em
ler o livro, saiba que muitas modificações foram feitas no texto, que sofreu diversas alterações das editoras por estar repleto de situações consideradas “fortes” pra época.
Kerouac escreveu o livro em três semanas, e praticamente não há pausas. Pra
felicidade dos que gostam dos originais, há uma versão do manuscrito, que pode
ser encontrada pela internet na livraria Cultura. Em relação ao filme, uma das
dificuldades para ser rodado, foi encontrar um bom roteiro, Salles contou com a ajuda de um velho amigo,
José Rivera, o mesmo roteirista de Central do Brasil. Minha cena favorita: Sam, Dean e Marylou estão
com mais dois caronistas no carro, de volta para São Francisco. É fim de tarde
e a fotografia está quase em Redscale.
A luz é incrível e Kristen consegue realmente emocionar com sua atuação. Um dos
caronistas começa a cantar um folk... É
impossível resistir a um sentimento de estrada, solidão, e a saudade de voltar
pra casa.
Na estrada é um filme sobre viver, correr riscos, viajar
(em várias conotações), amores e amizades. Vale muito a pena uma ida ao cinema,
ainda mais se você não tem problemas em fugir de fórmulas repetidas. Se você
gostar e quiser mais filmes sobre o mesmo tema, recomendo também Diários de
Motocicleta e Na Natureza Selvagem (esse último é emocionante). Todos foram
inspirados em diários, que mais tarde tornaram-se livros. Finalizo com um
trecho lindo de Kerouac: “Para mim,
pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar,
loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que
nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como
fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações."
Ficha técnica
ORIGINAL: On the Road – Na estrada
LIVRO: On the Road – Pé na Estrada – Jack Kerouac
DIRETOR: Walter Salles
ROTEIRISTA: José Rivera
ELENCO:
Sam Riley, Garret Headlund, Kristen Stewart, Alice Braga, Kirsten Dusnt, Amy
Adams, Viggo Mortensen.




Corro um grande risco de ir ver esse filme e ao sair, pegar a BR 174, mesmo que seja só pra ir até PF =P
ResponderExcluirBoa sugestão Nikota!! =*
Vamo então pra P.F, antes do final de semana chegar xuxu!!
ExcluirBeijo =**
acho que fui com tanta sede ao pote, que fiquei meio decepcionada (apesar da trilha sonora ser ótima, a fotografia eu nem preciso comentar, e a direção foi perfeição).
ResponderExcluirparece que o terreno foi muito bem preparado pra um grande espetáculo, e isso não aconteceu... sei lá! e a crepusculete não me convence...
beijo!
Sério Gabi, acho que me surpreendeu, porque fui sem muitas expectativas, o que conhecia do filme era que foi inspirado no livro e que a direção era do Salles, entrei no cinema desacreditada da Kristen, já que tinha visto a atuação dela em Branca de Neve e o Caçador e lá sim, a decepção foi grande.
ExcluirMas o Sam Riley e Garret, acho que ainda vão dar muito o que falar, são ótimos os dois.
E gosto de filmes que dão pistas de outras coisas, no caso, fiquei interessada no romance do Proust - O caminho de Swan.
Enfim, gostei. Mas é isso aí. Ainda to esperando aquele seu texto ;) beijo
Na minha opinião a Kristen passa na média, mas eu chocaria logo e colocaria Elle Fanning que é mto mais lolita. Gosto da Kristen em Na Natureza Selvagem. Não vou escolher uma cena predileta, fico com todas as cenas de Alice Braga, pq pago um pau desgraçado pra ela. Parabéns pelo post, Nika e pelo blues mto gostoso do Black Keys.
ResponderExcluirHahaa valeu João!
ResponderExcluirSe eu estivesse responsável pelo casting, teria escolhido Emma Watson para viver Marylou, o interessante do seu comentário, é que a Kristen chamou a atenção de Salles pela atuação dela em Na Natureza Selvagem, e ela ainda nem sonhava em um dia participar da saga Crepúsculo.
Ah e Black Keys conheci por Tati e já me apaixonei X) beeeijo